Archive for março \16\UTC 2008

Diário de Agüero III – Além da Cúpula do Trovão

março 16, 2008

Último capítulo das minhas aventuras na terra de Basualdo, Simeone e Burruchaga:

– Fui ver “Rio Grande” no Malba. Em vez de cinema, o museu tem um auditório no qual se projetam os filmes. O problema é igual ao da mostra de super-8 em Gramado: soma-se a distância enorme do projetor à tela com a baixa potência da lâmpada do projetor, e temos um breu se mexendo na tela. O filme parece bom, mas vou rever em DVD.

– Depois, me toquei pro show do Zimmermann. O famigerado Estádio José Amalfitani fica longe pra caralho.

– A abertura foi de um tio chamado León Gieco. Tem muitos anos de estrada e gravou com Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Milton Nascimento etc. Foi um show bem “latinoamérica”. A cereja no bolo veio no fim: ele e mais um carinha (produtor do primeiro disco dele) tocaram duas músicas com Charly Garcia, que subiu no palco. Foi muito massa, o público delirou. “Todo por Bob”, disse. Tirando a roupa (usava uma jaqueta por cima de um vestido branco de mulher, mais as calças), ele parecia bem normal.

– O show foi sensacional. O setlist foi praticamente perfeito – gostaria de ter ouvido “Tangled Up in Blue”, por exemplo, mas é impossível reclamar de um cara que faz um bis com “Stuck Inside The Mobile with the Memphis Blues Again”, “All Along the Watchtower” (momento do arrepio, junto com “Just Like a Woman”) e uma rendition inacreditável de “Blowin´ in the Wind”.

– Foram duas horas cravadas com meus olhos fixos no cara, nos movimentos dele, no gingado ao tocar teclado, nos acordes da guitarra. Me distraí por poucos momentos, só pra ver o céu estrelado e o Oscar em cima do amplificador (é, nunca tinha visto um Oscar assim de perto, mesmo sendo uma réplica).

– Em vários momentos, a velha voz – AQUELA voz – voltou à vida. Quando ele engrena, até consegue segurar AQUELA voz até o fim do verso. Mas daí voltam o grunhido e o rugido. Mas valeu, eu juro que valeu.

– Quando ele começou a tocar “Blowin´ in the Wind”, ouvi um comentário atrás de mim; “bah, véio, ele ATÉ vai tocar mais uma”. Tava demorando.

– Na saída do estádio, andei em uma boca brabíssima pra pegar o ônibus. Perto daquilo, a Praça XV de noite parece o Champs-Elysées. Rooteza extrema, mas tudo bem. Depois de descer, caminhando duas quadras até o prédio, vi um policial conversando com um quitandeiro na esquina. Isso já é o dobro de brigadianos que se vê em todo o trecho da Protásio entre o Clínicas e a rótula da Carlos Gomes em dias de semana.

Hasta mañana, baby blue.

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Diário de Agüero – First Blood Part II

março 14, 2008

Vamos aos fatos do dia:

– Fui ao Ateneo Gran Splendid, a famosa livraria construída em um teatro antigo. O lugar é lindo e sensacional, embora a livraria em si seja apenas boa, sem nada de especial no acervo. Detalhe: durante todo o tempo em que estive lá, tocou Maria Bethania no sistema de som. Eta xangô véio.

– Parafraseando Jardel: quase nao se vê carro importado na rua. Só tem Palio, Fox, Gol, Corsa, Peugeot, todos tupinambás.

– Puerto Madero é uma Padre Chagas à beira do rio, mas menos cara (por causa do valor do peso). Calçada muito bonita, à beira do rio. No almoço, o lugar é freqüentado por turistas e gente que provavelmente trabalha no centro financeiro, que fica ali perto.

– Casa Rosada e Praça de Maio: me sinto no meio da “História Oficial”. Sem as madres no local (acho que peguei o dia errado), mas com muitos veteranos da guerra das Malvinas, que se dizem esquecidos pelo governo por serem “combatentes continentais”. Fico só pensando o que seria do Lula se estivesse no Catete.

– Ciclo John Ford no Museu da América Latina – e em película. Verei “Rio Grande” antes de ir pro Zimmermann.

– Hordas de americanos no Obelisco, na Florida e na Recoleta. Pra quem curte SNL: todos iguais ao Ra-rry Tem-pre-ton, Mir-war-kee, Wisconsin.

– Recoleta é um lugarzinho bem aprazível e interessante, com o verde da Praça França. Voltarei no sábado pra ver as banquinhas de quinquilharia.

– O túmulo da Evita está lá, na sua ruazinha estreita do cemitério, lotada de eleitores do John McCain – sem contar algumas tias que, empedernidas, deixam sua bitoca nas plaquinhas de bronze que indicam o lugar.

– Tomando possivelmente a pior Guinness da minha vida em um pseudopub na Recoleta, só pensei em uma pessoa que poderia me deixar melhor. Te extraño.

Diário de Agüero I

março 13, 2008

Estou em Buenos Aires para ver o show do Robert Zimmermann, no sábado. Volto no domingo. Até lá, pretendo publicar algumas impressoes (nao achei o TIL nesse teclado portenho) sobre a capital latino-americana do gel e da lambreta (em 2 horas de passeio, vi umas 4 na rua).

– Alguns prédios sao lindos, lembram Paris. Mas impressiona a quantidade de mendigos, até para padroes portoalegrenses.

– Gurias lindas, alternativetes e burras desfilando pelas ruas, especialmente em Palermo. Parece a Famecos.

– Palermo – com sua pracinha Júlio Cortázar – é uma Cidade Baixa com grife, e bem melhorada.

– Cervejas locais provadas: Otromundo strong red ale (nada de especial, perde feio pra Eisenbahn) e Antares porter (artesanal, feita em Mar del Plata – desce bem, apesar do tom forte de malte queimado. Bem apreciável).

– Ainda nao comi as pizzas locais, que parecem ser sensacionais. Chegará a hora.

– Os locais foram muito gentis, até o momento. Diana, a anfitria, é um doce de pessoa.

– Por mais legal que essa viagem possa ser, é difícil ficar sozinho. Tem alguém fazendo falta.