Archive for julho \31\UTC 2007

Cala-te

julho 31, 2007

Ainda ontem eu comentava no trabalho: “o último grande diretor que sobrou vivo foi o Antonioni”.

Eu e a minha boca.

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O quadro da dor

julho 30, 2007

A minha primeira impressão de Ingmar Bergman foi a dor que as imagens de Gritos e Sussurros expressavam. Nunca mais vi um filme que representasse a dor de um jeito tão direto e tão autoral – seja a dor do câncer, seja do caco de vidro cortando a carne.

bergman_ok.jpg

(da esquerda para a direita: Bergman, Sven Nykvist, Erland Josephson e Liv Ullman)

Claro que Bergman era muito mais do que isso. Ele, por exemplo, criou mais imagens marcantes do que qualquer outro diretor na história do cinema (o xadrez com a morte no Sétimo Selo, o sonho de Morangos Silvestres, os rostos fundidos de Persona, os vermelhos de Gritos e Sussurros, a janela em Fanny e Alexander). Mas é a primeira impressão que fica.

Dúvidas de internautas

julho 26, 2007

nome=Gabriel Dias Fernandes
email=blablabla@pop.com.br
pergunta=É verdade que o “quack!” de um pato não produz eco? Se for verdade, por que?

nome=Adauto Freitas
email=blablabla@yahoo.com.br
pergunta=Bom dia!
Gostaria de saber porque os fios de cabelos entram pra dentro do colchão? Tenho observado que os fios dos cabelos da minha namorada entram e ficam agarrados com tamanha força dentro do colchao de esponja!
Não sei o que acontece, deve ser alguma força dentro do colchão que atrai os fios de cabelos…é incrivel!!
Obrigado!!Aguardo resposta

Reflexão futebolística

julho 26, 2007

Nada, mas NADA no mundo pode ser mais patético do que ver uma goleira sendo encoberta em um jogo de futebol feminino.

Release do dia (atenção para o subject)

julho 26, 2007

—– Original Message —–
From: Camejo Comunicação Empresarial
Sent: Wednesday, July 25, 2007 4:11 PM
Subject: PISANDO NO CÂNCER

EMPRESA BRASILEIRA FIRMA PARCERIA PARA BENEFICIAR INSTITUTO DO CÂNCER DE MAMA DOS EUA

A empresa já está preparando o lançamento no Brasil de campanha semelhante a esta, beneficiando instituições brasileiras. Os sapatos Corso Como chegam ao Brasil em edição limitada e serão comercializados apenas em importantes lojas. A palmilha na cor rosa identifica a coleção…

A Bloomingdale’s – uma das maiores multimarcas do mundo – e o Instituto do Câncer de Mama dos Estados Unidos unem-se à grife brasileira de sapatos femininos Corso Como – pela luta contra o câncer de mama.

Nesta parceria, a Corso Como fabrica linha de calçados de festa com o solado e palmilha na cor de rosa, sem interferir na estética e beleza do sapato. Esta cor identifica o Instituto de Câncer dos Estados Unidos. A Bloomingdale’s coloca a venda com exclusividade esta linha especial em suas lojas. Tanto a Corso Como, como a Bloomingdale’s doarão percentual das vendas destes sapatos para o Instituto.

De acordo com o presidente da Corso Como, Carlos Kray, o valor arrecadado é utilizado para a conscientização das mulheres norte-americanas da importância da prevenção do câncer de mama.

Os sapatos Corso Como, que são fabricados na cidade de Campo Bom no Rio Grande do Sul, passam a ser vendidos no Brasil neste mês. O empresário Carlos Kray já está preparando o lançamento no país de campanha semelhante a esta, beneficiando instituições brasileiras.

Efeméride

julho 26, 2007

2001_ok.jpg

Se não fosse aquele enfartezinho básico em março de 1999, estaríamos entrando hoje em Kubrick ano 80.

Perdido no centro

julho 25, 2007

Ontem, depois do almoço, caminhei por uns 20 minutos de bobeira no centro de Porto Alegre. Subi a General Câmara até a Praça da Matriz, cortei em diagonal em direção ao Piratini e andei pela Duque de Caxias no sentido do Gasômetro.

No caminho, resolvi entrar em uma rua onde nunca havia passado, mas que sempre tinha despertado a minha curiosidade. É uma rua sem saída, a primeira que corta a Duque depois do Piratini, bem em frente à João Manoel.

Na esquina dessa rua com a Duque, ficam um muro alto, com um estacionamento em cima (à esquerda) e um casarão lindo e muito deteriorado (à direita). Caminhei até o fim dela, com calma, aproveitando as nesgas de sol entre as árvores e matando tempo até voltar pro trabalho.

No fim da rua, a minha surpresa: ali fica uma escadaria que leva até a Fernando Machado. A escadaria é pintada de branco, toda pichada, cercada de prédios velhos e alguns casebres.

escadaria.jpg

Me surpreendi pela minha idiotice em nunca ter notado aquele lugar, tão óbvio e metido no meio do centro.

No caminho de volta, cuidei a placa para ver o nome da rua. Ela tinha sido arrancada.

Até agora não sei o nome.

À noite sonhei

julho 24, 2007

Eu era uns 10 anos mais novo, fazia algum curso na PUC (não na Famecos) e era jurado de morte pela família de uma colega, que era muçulmana, ou hindu, ou adepta de alguma religião fora do esquema judaico-cristão. O motivo era o simples fato da gente ter ficado (a ficância não aparecia no sonho, bem entendido).

Eles queriam arrancar a minha cabeça, no melhor estilo Daniel Pearl.

Depois disso, eu estava na banca de revistas na praça central de Guaíba, procurando quadrinhos. O problema é que o cara só tinha revistas baratas de faroeste, na linha de Tex. Voltando pra casa de bicicleta, ocorreu um momento Salvador Dalí: enquanto eu pedalava, uma espécie de tela enorme surgiu na minha frente, mostrando um comentário em vídeo do Cláudio Cabral sobre o último jogo do Inter. Ele estava muito atrapalhado com o microfone, então começou a rir e a tirar sarro do operador de áudio.

Detalhe: o Cabral tinha a dentição e a risada iguais ao Tibério Vargas.

Pequenas imbecilidades cotidianas – II

julho 22, 2007

Jogo Sport x Botafogo na SporTV. O técnico Cuca invade o campo para reclamar do juiz.

O comentarista pernambucano diz:

– Agora Cuca entra em campo, talvez lembrando seus tempos de zagueiro.

Release do dia (de ontem)

julho 21, 2007

NOTA À IMPRENSA

Assunto: falecimento do Senador Antônio Carlos Magalhães.
São Paulo, 20 de julho de 2007.

Acabo de sair do Instituto do Coração, onde fui levar um abraço de sentimento e solidariedade aos familiares de Antônio Carlos Magalhães. Ele marcou a história da Bahia e do Brasil. Ele era importante, forte, rápido, respeitoso, polêmico e encantador quando queria. Um inimigo temível para quem estivesse no campo oposto. Diferentemente dos políticos tradicionais, Antônio Carlos Magalhães tinha preocupação com a eficiência e a competência. Modernizou a Bahia. Embora tivéssemos tido momentos de dificuldade em nosso relacionamento político, ele ajudou decisivamente o meu governo e o Brasil, especialmente, quando na Presidência do Senado e do Congresso, viabilizou reformas importantes. Seja qual for a perspectiva política a partir da qual Antônio Carlos Magalhães seja avaliado, é indiscutível que foi um homem de coragem e talento, que guardou até o fim o ânimo para combater pelo que acreditava.

Fernando Henrique Cardoso