(re)descobertas do mundo do vhs

Dezembro 22, 2008 por spuldar

Em breve, no Youtube:

1) “a seguir, cenas do próximo capítulo” de ‘Sassaricando’;
2) RBS notícias com Ubirajara Valdez;
3) Diário da Constituinte;
4) Jornal Nacional com Celso Freitas e Leo Batista;
5) Rede nacional com o Exmo. Sr. ministro do Interior, João Alves;
6) início de ‘Mandala’.

Estou no espírito de fazer escavações em fitas magnéticas.

Texto certo na hora certa?

Agosto 21, 2008 por spuldar

César, Diego e nós
CONTARDO CALLIGARIS
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O desejo da gente não é definido, fixo. Ele não precisa ser “descoberto”, mas inventado
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AS LÁGRIMAS de felicidade de César Cielo me comoveram. Também me comoveu a consternação de Diego Hypólito depois da queda que o privou da medalha olímpica.

Anos de dedicação e controle de si acabaram, para César, num momento em que ele nadou como nunca e, para Diego, num erro inesperado. César tinha dificuldade em acreditar que seu sonho estava acontecendo. Diego repetia: “Não acredito que perdi”.

Com um amigo, domingo à noite, conversamos sobre o que faz o estofo dos campeões.

Evocamos aquela idéia da sabedoria popular que faz sucesso na literatura de auto-ajuda (por exemplo, “O Segredo”, livro e filme) e que diz o seguinte: descobrir o que a gente deseja e desejá-lo ardentemente é bom e eficiente, pois quem deseja muito, mais cedo ou mais tarde, realiza suas aspirações.

Na mesma veia, organizar nossa existência ao redor da ocupação da qual a gente mais gosta parece ser o jeito de matar a charada da vida.

“Logicamente”, com a paixão pelo ofício de cada dia (“adeus depressão”), serão multiplicadas as chances de sucesso (merecido, pois, no caso, só poderemos nos entregar a nossas tarefas com o maior afinco e com prazer).

É fácil entender de onde vem essa idéia. Você passa o dia aflito, correndo atrás das complicações de seu trabalho e de seus deveres e, quando, à noite, coloca em ordem sua coleção de selos, pensa em desistir de tudo e abrir uma lojinha filatélica.

Movido por sua paixão, quem sabe você escreva, enfim, o novo catálogo definitivo dos selos da Colônia, do Império e da República do Brasil; logo, a lojinha crescerá até se tornar o grande centro on-line de troca, comércio e avaliação de selos nacionais.

Mas há um problema: essa idéia é ingênua. Não tanto por ela subestimar as dificuldades eventuais de sua lojinha filatélica, mas por duas razões fundamentais:

1) O desejo da gente não é um desejo definido, que seria “o nosso” (como uma espécie de DNA psíquico) e que se trataria de descobrir e logo seguir à risca. O episódio bíblico do pecado original é uma boa metáfora da condição humana. Todas as necessidades estavam satisfeitas no Paraíso terrestre, e fomos querer um fruto que não sabíamos direito o que era: a humanidade (pecadora, claro) surge quando começamos a desejar além do que satisfaz nossa necessidade de sobrevivência. Como nosso desejo não é regrado pela necessidade, ele é variável, não depende do valor intrínseco dos frutos desejados, nem da singularidade de nosso paladar, mas de nossos vínculos com os outros: no caso, com as Evas que nos seduzem ou com a vontade de transgredir a ordem divina. Conclusão: nosso desejo é o fruto volúvel das ocasiões, das circunstâncias e, sobretudo, das relações com nossos semelhantes; ele é uma disposição que INVENTAMOS -não que DESCOBRIMOS.

2) Inventar um desejo não é nenhuma garantia de talento. É possível desejar ser nadador, ginasta ou filatélico sem ter talento para nenhuma dessas atividades. Em tese, isso não teria que ser um drama, visto que poderíamos procurar (ou melhor, inventar) outro “fruto” desejável, mais compatível com nossas aptidões. Mas não funciona assim. Na parábola bíblica, o nosso gosto pelos frutos proibidos indica que, em geral, preferimos desejar o que está fora de nosso alcance, por ser objeto de interdito ou, justamente, por ser irrealizável à vista de nossas modestas habilidades. Ou seja, em vez de desejar de galho em galho segundo as ocasiões e conforme nossas aptidões, preferimos almejar o impossível. O aspirante filatélico sofre de uma sudorese que estragaria qualquer selo; o aspirante literato não gosta de ler, e por aí vai: gostamos de visualizar futuros que nunca chegarão.

Pois bem, os campeões, ao menos durante um tempo de sua vida, focam seu desejo, ou seja, persistem em desejar apenas uma coisa. Até aqui eles são parecidos com a gente.

Só que, diferentes da gente, eles se autorizam a desejar uma coisa que é difícil, mas que não lhes é impossível: desejam a excelência num ofício para o qual eles têm talento. Restaria se perguntar por que um campeão pode falhar. Pois bem, até os campeões precisam daquela coisa que faz com que, um dia, milagrosamente, a disposição, o humor, a temperatura, o brilho do sol ou o barulho da chuva conspirem para que tudo dê certo. Ou seja, precisam de sorte. Boa sorte a Diego nos próximos Jogos Olímpicos.

(publicado na Folha de hoje)

Retomando

Maio 22, 2008 por spuldar

Nos próximos dias, tentaremos retomar a rotina de publicações nesta humilde e abandonada página, a fim de relatar nossa jornada européia para ver Paul McCartney em Anfield.

A aventura começa amanhã, dia 23, e termina no dia 15 de junho.

Veremos que bicho vai dar.

Diário de Agüero III – Além da Cúpula do Trovão

Março 16, 2008 por spuldar

Último capítulo das minhas aventuras na terra de Basualdo, Simeone e Burruchaga:

- Fui ver “Rio Grande” no Malba. Em vez de cinema, o museu tem um auditório no qual se projetam os filmes. O problema é igual ao da mostra de super-8 em Gramado: soma-se a distância enorme do projetor à tela com a baixa potência da lâmpada do projetor, e temos um breu se mexendo na tela. O filme parece bom, mas vou rever em DVD.

- Depois, me toquei pro show do Zimmermann. O famigerado Estádio José Amalfitani fica longe pra caralho.

- A abertura foi de um tio chamado León Gieco. Tem muitos anos de estrada e gravou com Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Milton Nascimento etc. Foi um show bem “latinoamérica”. A cereja no bolo veio no fim: ele e mais um carinha (produtor do primeiro disco dele) tocaram duas músicas com Charly Garcia, que subiu no palco. Foi muito massa, o público delirou. “Todo por Bob”, disse. Tirando a roupa (usava uma jaqueta por cima de um vestido branco de mulher, mais as calças), ele parecia bem normal.

- O show foi sensacional. O setlist foi praticamente perfeito – gostaria de ter ouvido “Tangled Up in Blue”, por exemplo, mas é impossível reclamar de um cara que faz um bis com “Stuck Inside The Mobile with the Memphis Blues Again”, “All Along the Watchtower” (momento do arrepio, junto com “Just Like a Woman”) e uma rendition inacreditável de “Blowin´ in the Wind”.

- Foram duas horas cravadas com meus olhos fixos no cara, nos movimentos dele, no gingado ao tocar teclado, nos acordes da guitarra. Me distraí por poucos momentos, só pra ver o céu estrelado e o Oscar em cima do amplificador (é, nunca tinha visto um Oscar assim de perto, mesmo sendo uma réplica).

- Em vários momentos, a velha voz – AQUELA voz – voltou à vida. Quando ele engrena, até consegue segurar AQUELA voz até o fim do verso. Mas daí voltam o grunhido e o rugido. Mas valeu, eu juro que valeu.

- Quando ele começou a tocar “Blowin´ in the Wind”, ouvi um comentário atrás de mim; “bah, véio, ele ATÉ vai tocar mais uma”. Tava demorando.

- Na saída do estádio, andei em uma boca brabíssima pra pegar o ônibus. Perto daquilo, a Praça XV de noite parece o Champs-Elysées. Rooteza extrema, mas tudo bem. Depois de descer, caminhando duas quadras até o prédio, vi um policial conversando com um quitandeiro na esquina. Isso já é o dobro de brigadianos que se vê em todo o trecho da Protásio entre o Clínicas e a rótula da Carlos Gomes em dias de semana.

Hasta mañana, baby blue.

Diário de Agüero – First Blood Part II

Março 14, 2008 por spuldar

Vamos aos fatos do dia:

- Fui ao Ateneo Gran Splendid, a famosa livraria construída em um teatro antigo. O lugar é lindo e sensacional, embora a livraria em si seja apenas boa, sem nada de especial no acervo. Detalhe: durante todo o tempo em que estive lá, tocou Maria Bethania no sistema de som. Eta xangô véio.

- Parafraseando Jardel: quase nao se vê carro importado na rua. Só tem Palio, Fox, Gol, Corsa, Peugeot, todos tupinambás.

- Puerto Madero é uma Padre Chagas à beira do rio, mas menos cara (por causa do valor do peso). Calçada muito bonita, à beira do rio. No almoço, o lugar é freqüentado por turistas e gente que provavelmente trabalha no centro financeiro, que fica ali perto.

- Casa Rosada e Praça de Maio: me sinto no meio da “História Oficial”. Sem as madres no local (acho que peguei o dia errado), mas com muitos veteranos da guerra das Malvinas, que se dizem esquecidos pelo governo por serem “combatentes continentais”. Fico só pensando o que seria do Lula se estivesse no Catete.

- Ciclo John Ford no Museu da América Latina – e em película. Verei “Rio Grande” antes de ir pro Zimmermann.

- Hordas de americanos no Obelisco, na Florida e na Recoleta. Pra quem curte SNL: todos iguais ao Ra-rry Tem-pre-ton, Mir-war-kee, Wisconsin.

- Recoleta é um lugarzinho bem aprazível e interessante, com o verde da Praça França. Voltarei no sábado pra ver as banquinhas de quinquilharia.

- O túmulo da Evita está lá, na sua ruazinha estreita do cemitério, lotada de eleitores do John McCain – sem contar algumas tias que, empedernidas, deixam sua bitoca nas plaquinhas de bronze que indicam o lugar.

- Tomando possivelmente a pior Guinness da minha vida em um pseudopub na Recoleta, só pensei em uma pessoa que poderia me deixar melhor. Te extraño.

Diário de Agüero I

Março 13, 2008 por spuldar

Estou em Buenos Aires para ver o show do Robert Zimmermann, no sábado. Volto no domingo. Até lá, pretendo publicar algumas impressoes (nao achei o TIL nesse teclado portenho) sobre a capital latino-americana do gel e da lambreta (em 2 horas de passeio, vi umas 4 na rua).

- Alguns prédios sao lindos, lembram Paris. Mas impressiona a quantidade de mendigos, até para padroes portoalegrenses.

- Gurias lindas, alternativetes e burras desfilando pelas ruas, especialmente em Palermo. Parece a Famecos.

- Palermo – com sua pracinha Júlio Cortázar – é uma Cidade Baixa com grife, e bem melhorada.

- Cervejas locais provadas: Otromundo strong red ale (nada de especial, perde feio pra Eisenbahn) e Antares porter (artesanal, feita em Mar del Plata – desce bem, apesar do tom forte de malte queimado. Bem apreciável).

- Ainda nao comi as pizzas locais, que parecem ser sensacionais. Chegará a hora.

- Os locais foram muito gentis, até o momento. Diana, a anfitria, é um doce de pessoa.

- Por mais legal que essa viagem possa ser, é difícil ficar sozinho. Tem alguém fazendo falta.

Linha Jardim do Salso

Dezembro 24, 2007 por spuldar

Peguei um ônibus essa semana e ouvi um diálogo digno do Conversas Furtadas.

Era um casalzinho jovem que falava sem parar, e eu ali, sem prestar atenção em nada. De repente, pesco a pérola:

Mas tu é bem assim mesmo… um chamarisco de travesti.

Reaching for a piece of cake

Dezembro 4, 2007 por spuldar

Eu era bem guri – tinha uns 6 anos, talvez – quando parei pra analisar uma foto dos Beatles pela primeira vez. Ali, reconheci o Paul McCartney. Sim, eu já ouvia o Paul antes de conhecer Beatles.

O Paul é uma presença constante na minha vida. A minha mãe via os clipes dele, gravava as músicas em cassetes, comprava os discos. Um dos meus sonhos de infância era que, um dia, ele e a Linda apareceriam lá em casa, conversariam com os meus pais e olhariam os meus brinquedos (essa demência não é exclusividade minha: um dos guitarristas da banda atual do Paul disse a mesma coisa no DVD da turnê de 2002). Mais velho, ampliei meus conhecimentos sobre o cara (e também sobre os Beatles) e casei com uma pessoa doente por ele.

Enfim.

Fazia uns dois anos que eu pleiteava uma coleção em DVD dos clipes do Paul. Muitos deles marcaram a minha vida, fossem eles bons ou toscos – Pipes of Peace, Ebony and Ivory, Say Say Say, No More Lonely Nights, Coming Up e tal. E agora saiu o McCartney Years, atendendo às minhas preces (que já pareciam inúteis). Os três discos são lotados de clipes, shows e comentários em áudio feitos pelo próprio Paul. “It’s like butter”, como diria Linda Richman.

Depois dessa, fiz uma resolução: não vou morrer sem ver um show do Macca. Nem que eu pegue um avião cargueiro pra Auckland e volte no dia seguinte, contraindo dívidas no cartão de crédito: mesmo assim, eu ainda vejo esse cara tocar ao vivo.

Michael Corleone diz tudo

Novembro 30, 2007 por spuldar

Just when I thought I was out… they pull me back in.

Uma frase que reflete bem o momento.

Onde isso vai dar?

Novembro 27, 2007 por spuldar

A minha mente flutua por aí, enquanto o meu corpo pouco se mexe e muito engorda. As idéias passam e não perduram. Sequer rendem posts. O meu tempo livre é uma bateção de bola na parede: ócio sem criatividade. Onde vou chegar com isso? O futuro existe mesmo?