Peguei um ônibus essa semana e ouvi um diálogo digno do Conversas Furtadas.
Era um casalzinho jovem que falava sem parar, e eu ali, sem prestar atenção em nada. De repente, pesco a pérola:
Mas tu é bem assim mesmo… um chamarisco de travesti.
Peguei um ônibus essa semana e ouvi um diálogo digno do Conversas Furtadas.
Era um casalzinho jovem que falava sem parar, e eu ali, sem prestar atenção em nada. De repente, pesco a pérola:
Mas tu é bem assim mesmo… um chamarisco de travesti.
Eu era bem guri – tinha uns 6 anos, talvez – quando parei pra analisar uma foto dos Beatles pela primeira vez. Ali, reconheci o Paul McCartney. Sim, eu já ouvia o Paul antes de conhecer Beatles.
O Paul é uma presença constante na minha vida. A minha mãe via os clipes dele, gravava as músicas em cassetes, comprava os discos. Um dos meus sonhos de infância era que, um dia, ele e a Linda apareceriam lá em casa, conversariam com os meus pais e olhariam os meus brinquedos (essa demência não é exclusividade minha: um dos guitarristas da banda atual do Paul disse a mesma coisa no DVD da turnê de 2002). Mais velho, ampliei meus conhecimentos sobre o cara (e também sobre os Beatles) e casei com uma pessoa doente por ele.
Enfim.
Fazia uns dois anos que eu pleiteava uma coleção em DVD dos clipes do Paul. Muitos deles marcaram a minha vida, fossem eles bons ou toscos – Pipes of Peace, Ebony and Ivory, Say Say Say, No More Lonely Nights, Coming Up e tal. E agora saiu o McCartney Years, atendendo às minhas preces (que já pareciam inúteis). Os três discos são lotados de clipes, shows e comentários em áudio feitos pelo próprio Paul. “It’s like butter”, como diria Linda Richman.
Depois dessa, fiz uma resolução: não vou morrer sem ver um show do Macca. Nem que eu pegue um avião cargueiro pra Auckland e volte no dia seguinte, contraindo dívidas no cartão de crédito: mesmo assim, eu ainda vejo esse cara tocar ao vivo.