Último capítulo das minhas aventuras na terra de Basualdo, Simeone e Burruchaga:
- Fui ver “Rio Grande” no Malba. Em vez de cinema, o museu tem um auditório no qual se projetam os filmes. O problema é igual ao da mostra de super-8 em Gramado: soma-se a distância enorme do projetor à tela com a baixa potência da lâmpada do projetor, e temos um breu se mexendo na tela. O filme parece bom, mas vou rever em DVD.
- Depois, me toquei pro show do Zimmermann. O famigerado Estádio José Amalfitani fica longe pra caralho.
- A abertura foi de um tio chamado León Gieco. Tem muitos anos de estrada e gravou com Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Milton Nascimento etc. Foi um show bem “latinoamérica”. A cereja no bolo veio no fim: ele e mais um carinha (produtor do primeiro disco dele) tocaram duas músicas com Charly Garcia, que subiu no palco. Foi muito massa, o público delirou. “Todo por Bob”, disse. Tirando a roupa (usava uma jaqueta por cima de um vestido branco de mulher, mais as calças), ele parecia bem normal.
- O show foi sensacional. O setlist foi praticamente perfeito - gostaria de ter ouvido “Tangled Up in Blue”, por exemplo, mas é impossível reclamar de um cara que faz um bis com “Stuck Inside The Mobile with the Memphis Blues Again”, “All Along the Watchtower” (momento do arrepio, junto com “Just Like a Woman”) e uma rendition inacreditável de “Blowin´ in the Wind”.
- Foram duas horas cravadas com meus olhos fixos no cara, nos movimentos dele, no gingado ao tocar teclado, nos acordes da guitarra. Me distraí por poucos momentos, só pra ver o céu estrelado e o Oscar em cima do amplificador (é, nunca tinha visto um Oscar assim de perto, mesmo sendo uma réplica).
- Em vários momentos, a velha voz - AQUELA voz - voltou à vida. Quando ele engrena, até consegue segurar AQUELA voz até o fim do verso. Mas daí voltam o grunhido e o rugido. Mas valeu, eu juro que valeu.
- Quando ele começou a tocar “Blowin´ in the Wind”, ouvi um comentário atrás de mim; “bah, véio, ele ATÉ vai tocar mais uma”. Tava demorando.
- Na saída do estádio, andei em uma boca brabíssima pra pegar o ônibus. Perto daquilo, a Praça XV de noite parece o Champs-Elysées. Rooteza extrema, mas tudo bem. Depois de descer, caminhando duas quadras até o prédio, vi um policial conversando com um quitandeiro na esquina. Isso já é o dobro de brigadianos que se vê em todo o trecho da Protásio entre o Clínicas e a rótula da Carlos Gomes em dias de semana.
Hasta mañana, baby blue.