Retomando

Maio 22, 2008 by spuldar

Nos próximos dias, tentaremos retomar a rotina de publicações nesta humilde e abandonada página, a fim de relatar nossa jornada européia para ver Paul McCartney em Anfield.

A aventura começa amanhã, dia 23, e termina no dia 15 de junho.

Veremos que bicho vai dar.

Diário de Agüero III - Além da Cúpula do Trovão

Março 16, 2008 by spuldar

Último capítulo das minhas aventuras na terra de Basualdo, Simeone e Burruchaga:

- Fui ver “Rio Grande” no Malba. Em vez de cinema, o museu tem um auditório no qual se projetam os filmes. O problema é igual ao da mostra de super-8 em Gramado: soma-se a distância enorme do projetor à tela com a baixa potência da lâmpada do projetor, e temos um breu se mexendo na tela. O filme parece bom, mas vou rever em DVD.

- Depois, me toquei pro show do Zimmermann. O famigerado Estádio José Amalfitani fica longe pra caralho.

- A abertura foi de um tio chamado León Gieco. Tem muitos anos de estrada e gravou com Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Milton Nascimento etc. Foi um show bem “latinoamérica”. A cereja no bolo veio no fim: ele e mais um carinha (produtor do primeiro disco dele) tocaram duas músicas com Charly Garcia, que subiu no palco. Foi muito massa, o público delirou. “Todo por Bob”, disse. Tirando a roupa (usava uma jaqueta por cima de um vestido branco de mulher, mais as calças), ele parecia bem normal.

- O show foi sensacional. O setlist foi praticamente perfeito - gostaria de ter ouvido “Tangled Up in Blue”, por exemplo, mas é impossível reclamar de um cara que faz um bis com “Stuck Inside The Mobile with the Memphis Blues Again”, “All Along the Watchtower” (momento do arrepio, junto com “Just Like a Woman”) e uma rendition inacreditável de “Blowin´ in the Wind”.

- Foram duas horas cravadas com meus olhos fixos no cara, nos movimentos dele, no gingado ao tocar teclado, nos acordes da guitarra. Me distraí por poucos momentos, só pra ver o céu estrelado e o Oscar em cima do amplificador (é, nunca tinha visto um Oscar assim de perto, mesmo sendo uma réplica).

- Em vários momentos, a velha voz - AQUELA voz - voltou à vida. Quando ele engrena, até consegue segurar AQUELA voz até o fim do verso. Mas daí voltam o grunhido e o rugido. Mas valeu, eu juro que valeu.

- Quando ele começou a tocar “Blowin´ in the Wind”, ouvi um comentário atrás de mim; “bah, véio, ele ATÉ vai tocar mais uma”. Tava demorando.

- Na saída do estádio, andei em uma boca brabíssima pra pegar o ônibus. Perto daquilo, a Praça XV de noite parece o Champs-Elysées. Rooteza extrema, mas tudo bem. Depois de descer, caminhando duas quadras até o prédio, vi um policial conversando com um quitandeiro na esquina. Isso já é o dobro de brigadianos que se vê em todo o trecho da Protásio entre o Clínicas e a rótula da Carlos Gomes em dias de semana.

Hasta mañana, baby blue.

Diário de Agüero - First Blood Part II

Março 14, 2008 by spuldar

Vamos aos fatos do dia:

- Fui ao Ateneo Gran Splendid, a famosa livraria construída em um teatro antigo. O lugar é lindo e sensacional, embora a livraria em si seja apenas boa, sem nada de especial no acervo. Detalhe: durante todo o tempo em que estive lá, tocou Maria Bethania no sistema de som. Eta xangô véio.

- Parafraseando Jardel: quase nao se vê carro importado na rua. Só tem Palio, Fox, Gol, Corsa, Peugeot, todos tupinambás.

- Puerto Madero é uma Padre Chagas à beira do rio, mas menos cara (por causa do valor do peso). Calçada muito bonita, à beira do rio. No almoço, o lugar é freqüentado por turistas e gente que provavelmente trabalha no centro financeiro, que fica ali perto.

- Casa Rosada e Praça de Maio: me sinto no meio da “História Oficial”. Sem as madres no local (acho que peguei o dia errado), mas com muitos veteranos da guerra das Malvinas, que se dizem esquecidos pelo governo por serem “combatentes continentais”. Fico só pensando o que seria do Lula se estivesse no Catete.

- Ciclo John Ford no Museu da América Latina - e em película. Verei “Rio Grande” antes de ir pro Zimmermann.

- Hordas de americanos no Obelisco, na Florida e na Recoleta. Pra quem curte SNL: todos iguais ao Ra-rry Tem-pre-ton, Mir-war-kee, Wisconsin.

- Recoleta é um lugarzinho bem aprazível e interessante, com o verde da Praça França. Voltarei no sábado pra ver as banquinhas de quinquilharia.

- O túmulo da Evita está lá, na sua ruazinha estreita do cemitério, lotada de eleitores do John McCain - sem contar algumas tias que, empedernidas, deixam sua bitoca nas plaquinhas de bronze que indicam o lugar.

- Tomando possivelmente a pior Guinness da minha vida em um pseudopub na Recoleta, só pensei em uma pessoa que poderia me deixar melhor. Te extraño.

Diário de Agüero I

Março 13, 2008 by spuldar

Estou em Buenos Aires para ver o show do Robert Zimmermann, no sábado. Volto no domingo. Até lá, pretendo publicar algumas impressoes (nao achei o TIL nesse teclado portenho) sobre a capital latino-americana do gel e da lambreta (em 2 horas de passeio, vi umas 4 na rua).

- Alguns prédios sao lindos, lembram Paris. Mas impressiona a quantidade de mendigos, até para padroes portoalegrenses.

- Gurias lindas, alternativetes e burras desfilando pelas ruas, especialmente em Palermo. Parece a Famecos.

- Palermo - com sua pracinha Júlio Cortázar - é uma Cidade Baixa com grife, e bem melhorada.

- Cervejas locais provadas: Otromundo strong red ale (nada de especial, perde feio pra Eisenbahn) e Antares porter (artesanal, feita em Mar del Plata - desce bem, apesar do tom forte de malte queimado. Bem apreciável).

- Ainda nao comi as pizzas locais, que parecem ser sensacionais. Chegará a hora.

- Os locais foram muito gentis, até o momento. Diana, a anfitria, é um doce de pessoa.

- Por mais legal que essa viagem possa ser, é difícil ficar sozinho. Tem alguém fazendo falta.

Linha Jardim do Salso

Dezembro 24, 2007 by spuldar

Peguei um ônibus essa semana e ouvi um diálogo digno do Conversas Furtadas.

Era um casalzinho jovem que falava sem parar, e eu ali, sem prestar atenção em nada. De repente, pesco a pérola:

Mas tu é bem assim mesmo… um chamarisco de travesti.

Reaching for a piece of cake

Dezembro 4, 2007 by spuldar

Eu era bem guri - tinha uns 6 anos, talvez - quando parei pra analisar uma foto dos Beatles pela primeira vez. Ali, reconheci o Paul McCartney. Sim, eu já ouvia o Paul antes de conhecer Beatles.

O Paul é uma presença constante na minha vida. A minha mãe via os clipes dele, gravava as músicas em cassetes, comprava os discos. Um dos meus sonhos de infância era que, um dia, ele e a Linda apareceriam lá em casa, conversariam com os meus pais e olhariam os meus brinquedos (essa demência não é exclusividade minha: um dos guitarristas da banda atual do Paul disse a mesma coisa no DVD da turnê de 2002). Mais velho, ampliei meus conhecimentos sobre o cara (e também sobre os Beatles) e casei com uma pessoa doente por ele.

Enfim.

Fazia uns dois anos que eu pleiteava uma coleção em DVD dos clipes do Paul. Muitos deles marcaram a minha vida, fossem eles bons ou toscos - Pipes of Peace, Ebony and Ivory, Say Say Say, No More Lonely Nights, Coming Up e tal. E agora saiu o McCartney Years, atendendo às minhas preces (que já pareciam inúteis). Os três discos são lotados de clipes, shows e comentários em áudio feitos pelo próprio Paul. “It’s like butter”, como diria Linda Richman.

Depois dessa, fiz uma resolução: não vou morrer sem ver um show do Macca. Nem que eu pegue um avião cargueiro pra Auckland e volte no dia seguinte, contraindo dívidas no cartão de crédito: mesmo assim, eu ainda vejo esse cara tocar ao vivo.

Michael Corleone diz tudo

Novembro 30, 2007 by spuldar

Just when I thought I was out… they pull me back in.

Uma frase que reflete bem o momento.

Onde isso vai dar?

Novembro 27, 2007 by spuldar

A minha mente flutua por aí, enquanto o meu corpo pouco se mexe e muito engorda. As idéias passam e não perduram. Sequer rendem posts. O meu tempo livre é uma bateção de bola na parede: ócio sem criatividade. Onde vou chegar com isso? O futuro existe mesmo?

Felícia

Novembro 22, 2007 by spuldar

A Felícia foi a primeira gata que eu tive. É verdade que convivi com outras três na minha infância, mas da Felícia eu me sentia dono de verdade, com todas as responsabilidades que isso acarreta.

Ela chegou adulta, trazida (e já batizada) pela Larissa e a Marianna. Era castrada e provavelmente já havia tido filhotes. Teve um dono antes de mim e da Angela: com ele, a Felícia teve outro nome, outra casa, outra ração, outra caminha, outros brinquedos. Não deve ter gostado muito, tanto que fugiu.

Era uma gata, digamos, clássica. Porte altivo, independente mas carinhosa, capaz de gestos e expressões (sim, animais têm expressões) quase aristocráticos, mas suplicante e apressada na hora de comer. Gostava de ficar no colo, mas só o suficiente. Pedia e recebia carinho, mas logo achava algo melhor para fazer – por exemplo, destruir as cadeiras de jantar ou dormir embaixo da mesa de centro.

A Felícia era companheira para jornadas tediosas na frente do computador (a Angela sabe bem), deitando quietinha do nosso lado, e prestativa nos “trabalhos” do lar – quando ouvíamos um canto desafinado no corredor, sabíamos que era a Felícia trazendo o “amiguinho” na boca, um miniboneco de pano (o burrinho do Shrek) que ela oferecia aos donos como quem caça um rato.

Todos os gatos com quem eu convivi tinham (ou têm) um olhar muito próprio, como que transmitindo seu jeito de ser. Fosse pedindo comida, fosse trazendo o amiguinho, fosse recebendo carinho, os olhos da Felícia tinham um quê de melancolia – o que me aproximava ainda mais dela.

felicia_ok.jpg

Pois ela se foi na segunda-feira. Sofri muito ao ver ela magra, dentro da gaiola e com o amiguinho entre as patas. Fiz um último carinho e trocamos um último olhar. Ela queria me dizer alguma coisa – ou talvez eu seja louco e ela não quisesse me dizer nada. Gosto de pensar que ali tinha amor de verdade.

À noite sonhei

Novembro 6, 2007 by spuldar

Eu estava dentro de um episódio dos Sopranos. Eu e a Angela estávamos do lado de fora de um casa, tipo um alpendre, quando uns mafiosos entraram no lugar. Entraram atirando, claro.

Apavorado, me enfiei embaixo de uma cama - sim, tinha uma cama no alpendre. A Angela se manteve tranqüila, como se nada fosse com ela. De repente, um dos mafiosos saiu da casa, levantou o colchão e me viu deitado. Botei a mão na frente do cara, mas ele atirou. O tiro atravessou a mão e me pegou no lado da barriga.

Sobrevivi. Depois, falei com o James Clavell dentro da casa. Perguntei se ele era o roteirista daquele episódio. Ele disse que não, que ele na real tinha CRIADO os Sopranos.

Acordei empapado de suor.